terça-feira, 24 de novembro de 2009

estou quebrada
vejo meus pedaços
estou me fragmentando
aos poucos
enquanto eu ando
quanto mais eu ando...
por esta rua
procurando alguem
eu quero um abraço
estou acabada
desprovida de qualquer coisa
com um olhar perdido
e um rosto molhado
estou despedaçando
meu coração,vem dele
o unico som que escuto agora
a tinta desta caneta está acabando
acabando,e eu não tive tempo de escrever
tudo o que está preso à mim
eu não tive tempo de me desamarrar disso
meus dedos estão doloridos
e com gosto leve de sal
não sinto vento
apenas frio
é uma madrugada fria
depois de andar tanto
achei o caminho de casa
estou voltando
mas não há ninguem esperando por mim
todos já adormeceram
estou suada
estou partida
e não havia lua hoje
de manhã me perguntarão onde estive
em lugar algum
com ninguem
tambem não ví ninguem
ou falei uma só palavra
do que me adiantará dizer
eles não se importam mesmo...
eu gosto de andar sozinha à noite
me faz pensar
me faz refletir
eu pude ver meu reflexo na àgua
mas não pude me reconhecer
pude ver meus olhos pedindo ajuda
pude ver minhas mãos precisando de outras
estava tudo deserto
e minha caneta acabou
acabei mais um caderno
essa foi a minha ultima pagina
e acabou antes que eu pudesse terminar
de escrever sobre coisas estão entaladas
na minha garganta e
que me impedem de comer
que me impedem de falar
que impedem o meu eu de respirar
as vezes eu ouso me perguntar
"o que eu ainda faço aqui?"
já não há praticamente nada a se fazer
meu coração está doendo
estou jogada na calçada de casa
são uma hora e dez da madrugada
e está tão frio
não há ninguem aqui
e não irá aparecer ninguem aqui
porque eu não me conformo com isso?
sinto fome
sinto sono
sinto frio
sinto uma infelicidade
sinto um vazio
sinto uma dor tão intensa que não consigo
descrever,e que está me desfazendo,
e ao mesmo tempo não sinto nada.
ando por esse campo
formas de vida
o mato está alto
chega até os meus joelhos
sentada nessa colina
posso ver muitas coisas
está choviscando
e quando essa chuva passar
eu sei
eu tenho certeza
vai aparecer um arco iris
ele surgirá
é nisso que eu creio
é nisso em que eu quero acreditar
é nisso em que eu tento e preciso
acreditar
meu coração está palpitando
rápido demais
está ventando,eu gosto de sentir
o vento assim
me vem uma sensação de liberdade
essa nuvem está impedido-me de ver
o sol que está escondido por causa da chuva
mas em algum momento
eu vou conseguir convence-lo de que
será melhor se ele sair
eu preciso de um dia iluminado hoje
só por hoje
só mais uma vez,
eu preciso lavar a minha alma
preciso enche-la com essa luz
preciso secar todas essas lágrimas
toda essa àgua salgada que escorre de meus olhos
eu sei que no momento em que eu te ver
essas feridas se abrirão novamente
mas no momento eu preciso fechá-las
preciso desse momento de paz
já não como à dias
e meu corpo está cansado
meus pensamentos rendidos todos à você
retidos em você
mas
hoje me liberte disso
hoje eu preciso viver
só por hoje.
a comida desce pela minha
garganta,sem gosto,sem sabor
como se fosse feita de areia
causa encomodo engolir isso
esse refrigerante parece
àgua com gás
nada tem graça o suficiente
para me fazer explodir de alegria
...
a noite,uma brisa leve
sinto cheiro de flores
as estrelas estão brilhando pra mim
estou fazendo o reconhecimento
das constelações
embaixo estão todos dormindo
mas eu ainda ouço vozes
...
me cortei com este pedaço de papel
por alguns segundos desvio minha
atenção para este minimo corte
não sangra,quase não posso vê-lo
porem...está doendo
mas eu sei que irá passar
por mais que não tenha sido tão profundo
e essa dor não seja tão aguda
ela vai passar um dia,é só uma questão de tempo.
não está tudo bem
nem certo...
estou fazendo tudo da maneira
mais errada
e mais dolorosa possivel
mas não há outro jeito
e por inquanto vou ter que suportar isso
já não sinto o sabor de chuva
e o sal corta a minha língua
dez e oito...
dez e nove...
dez e dez...
eu estou contando os minutos
o ponteiro do relógio
está com dó de mim e prometeu
marcar as horas mais rapido
até meu corpo doi
...
meus olhos,você os olha como se pretendesse
extrair algo deles
lamento,só vai ver neles o que eu quero que veja
você não precisa saber o que está se passando
eu não quero que você saiba
dez e quinze
e os segundos correm
como numa maratona
e eu não estou chorando,e nem pretendo
eu já chorei demais
e isso apenas aliviou o peso momentanamente
mas quando eu fingi sorrir o peso dobrou
sinto calafrios
e tudo isso está me fazendo mal
me perguntam se estou bem
e eu respondo sim com um sorriso
mas meus olhos pedem desculpas
porque estou mentindo
eu não queria estar fazendo isso
mentir empobrece ainda mais a minha alma
porem eu não quero dar trabalho a ninguem
então eu continuo aqui,a contar as horas
até que eu adormeça.
eu não consigo
é sufocante
a tua voz continua estridente nos meus ouvidos
você me diz coisas que eu não quero ouvir
coisas que me machucam ainda mais
que me fazem sangrar
estou sendo a mais idiota possivel
para tentar não transparecer isso
estou triste a ponto de forçar cada movimento
cada palavra
mas ninguem percebe isso
eu tento esconder cada pedaço,cada vestigio de dor,
de tristeza e infelicidade que possa haver em mim
é ironico ouvir você dizer que eu sou feliz
que gosta de me ver sorrir pois pareço criança
você não sabe o que se passa em mim
o que você vê é apenas uma forçada projeção
...
conto minhas dores sorrindo,pode parecer sadico mas não é
eu choro mas forço sorrir,e te direi com a cara mais sinica
que as lagrimas são de alegria
eu estou tão cansada
acho que o meu eu cansou de ser escondido
e eu cansei de fingir que não sou eu
mas mesmo assim eu me esforço
porque você não merece ser embebido nesses meus
amargos sentimentos.